
Dei um tempo no Vellum pra ler The New Weird, mas decidi começar pelo Symposium. Para os que não têm o livro, esta é a seção de artigos e debates sobre o que é o “movimento”, sua importância, estética, valores, etc.
Estou enlouquecido com a coleção de coisas incríveis que são ditas lá. Não só porque já tinha muitas das opiniões manifestadas lá, mas também porque são de uma clareza e de uma sinceridade impressionantes. E tudo isso com a clareza de que o New Weird deve ser encarado muito mais como uma abordagem, muito mais do que um movimento, um manifesto ou sequer uma estética. Ainda que haja elementos estéticos que permeiam as obras chamadas New Weird (abaixo).
São especialmente interessantes as palavras de M. John Harrison sobre a guerra pela nomeação e as de Darja Malcom-Clarke sobre a importância do grotesco no corpo e na cidade para o New Weird.
Harrison contra-argumenta os críticos do New Weird enquanto rótulo dizendo que, sim, rótulos são abomináveis, mas que eles existem e é muito melhor o próprio autor criar um rótulo para seu trabalho do que esperar que o departamento de marketing, ou a crítica, ou até o público, façam isso. E Harrison continua dizendo que há uma guerra por nomeação e que nomear é possuir.
Já Darja disseca alguns elementos centrais do New Weird e destaco a análise que ela fez da importância do grotesco no corpo e na cidade. Corpo e cidades são realmente fundamentais ao New Weird. E ambos são apresentados sempre deformados. Diz Darja que o corpo e a cidade deformadas, grotescas, transmutadas, servem como crítica à forma como classificamos o mundo. O grotesco não faz parte do conhecido, gera confusão e, portanto, mostra que a forma como classificamos o mundo é artificial.
Mais do que nunca, me sinto em casa.
O Symposium é de uma importância absoluta na discussão dos rumos da FC no Brasil também. Estou terminando um artigo para o The Fix só sobre essa seção, tamanha a sua relevância. Eles dizem muita coisa que já dissemos aqui em outras épocas e mais até, e evidentemente com mais propriedade e conhecimento de causa. Todo mundo devia ler esse livro.
Interessante perceber como o New Weird é mais uma tendência mundial do que a cópia de um modelo criado por um grupo fechado de escritores. E justamente por isso foi importante que os próprios autores o nomeassem.
Será que caberia algo assim por aqui? Um nome próprio para designar o que alguns autores andam fazendo? Ou não tem massa crítica para fazer isso agora?
Hm, não sei. Volta e meia alguém tenta fazer isso aqui, mas nem sempre a coisa rola direito (vide o caso “tupinipunk”, para tentar um contraponto ao “cyberpunk”).
Eu acho mesmo que o que a gente faz é literatura da boa.
Não tenho dúvida quanto a isso. Só imagino se carimbar um nome chinfroso não seria uma boa estratégia para chamar a atenção de todo mundo.
Chinfroso é legal!!
que tal The New Chinfra?
Ou, sério: Novo Bizarro?
Brizarro