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Archive for março \31\UTC 2008

Livros recebidos

Olha que beleza! Recebi da Amazon na quinta-feira passada. Da esquerda para a direita e de cima para baixo:

The New Weird, (vários): a mais do que aguardada antologia que define o movimento literário. O livro só tem gente boa, como Jay Lake, Hal Duncan, Michael Moorcock, M. John Harrison, Clive Barker e, claro, China Mièville. O mais legal dessa antologia é que ela tem ficção dos proto-New Weirds, dos New Weirds propriamente ditos e da próxima geração, como o Felix Gilman e Michael Cisco (ver abaixo). Tem ainda ensaios sobre o movimento e a troca de e-mails que gerou tudo isto. Já comecei a ler. Mas quem tiver pressa, tem uma resenha dele no The Fix, pelo camarada Fábio Fernandes.

The Traitor (Michael Cisco): quando bati o olho nessa capa, sabia que tinha que comprar. Eu nem vou tentar descrever a trama (que parece nem existir), mas envolve um comedor de almas, um marcador de almas, que na verdade são almas gêmeas. Tudo contado em primeira pessoa e, parece, o narrador não é confiável. Isso em 126 páginas.

Dust (Elizabeth Bear): um conto-de-fadas futurista, onde uma camponesa tem que cuidar de um prisioneiro, que ela descobre ser seu meio-irmão e herdeiro do trono. E daí? Daí que tudo isso acontece dentro de uma Nave de Geração que orbita um sistema binário prestes a entrar em colapso. O prisionairo é um anjo por graça da nanotecnologia e a camponesa logo é Exaltada e entre para a “hoste celestial”. No elenco ainda temos um basílico e a participação de Samael, o anjo do Suporte Vital.

Thunderer (Felix Gilma): livro de estréia do autor, Thunderer conta a história de Arjun, um compositor que viaja à cidade de Ararat, aquela “eternamente em mutação”, em busca do deus perdido de seu povo. O problema é que vários deuses fazem de Ararat sua residência. Além disso, a cidade se recusa a ser mapeada e ainda calha de Arjun chegar na cidade na mesma época da passagem do misterioso Bird, que parece estar sendo caçado por uns piratas voadores.

Bright of the Sky (Kay Kenyon): conta a saga de um piloto de espaçonaves que “cai” em uma realidade-de-bolso (o The Entire), volta de cabelos esbranquiçados e sua família, presumidamente morta, deixada no Entire. A corporação para quem ele trabalha decide mandá-lo de volta, querendo saber se o universo paralelo pode ser usado como método de transporte mais barato.  Lá, ele (re) encontra uma raça alienígena que controla o Entire, uma raça humanóide que lembra os chineses, uma conspiração gigante e ainda o seu passado….ou melhor, o que aconteceu com ele durante sua estada naquela realidade.

Só falta uma estante pra guardar tudo isso.

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Vídeo curtinho, mas excelente, no qual o mestre Frank Herbert fala um pouco sobre Duna.
Um trecho:”Líderes têm seus erros ampliados pelo número de pessoas que os seguem sem questionamentos. E líderes carismáticos tendem a construir estruturas de poder e estas estruturas de poder tendem a ser tomadas por pessoas corrompíveis. Não acredito que o velho ditado ‘poder absoluto corrompe absolutamente’ esteja correto. Eu acredito que poder atrai os corrompíveis”.

(Via SF Signal)

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Acabei de receber da Pyr o Infoquake, de David Louis Edelman. Muito obrigado a Jill Maxick e todo o pessoal da Prometheus Books/Pyr pelo apoio.

Infoquake é o livro de estréia de Edelman e conta a história de Nash, um empresário que tem três dias para entender, promover e lançar no mercado uma tecnologia revolucionária. É ficção científica no mundo corporativo. Primeira página é bem legal.

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Just received from Pyr the book Infoquake, by David Louis Edelman. Many thanks to Jill Maxick and all the guys in Prometheus Books/Pyr for the support.

Infoquake is Edelman’s debut novel and tells the story of Nash, an entrepeneur that has three days to understand, market and release a revolutionary technology. First page is pretty good.

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A resenha de Brasyl em português está aqui.

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The review of Brasyl in English is here.

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Parallel lives, parallel times, parallel universes. And a single country. Or not quite so. In Brasyl, scotish Irish writer Ian McDonald opens a window to three distinct landscapes: one futurist, descending from cyberpunk tradition; other contemporary, an echo of news services and the fever of reality shows; and, at last, one in the past, in a mysterious and predatory jungle, an independent world inside a colony. Linking all these three universes, so distant from each other, and at the same time so close, is quantum physics, its possibilities and its consequences.

The book tells the story of three characters separated in time and space. In 2006 Rio de Janeiro, Marcelina Hoffman is a TV producer specialized in reality shows seeking Barbosa, the goalkeeper of the fateful 1950 final, when Brazil lost for Uruguay in the Maracanã stadium. In ultra-surveillance society of 2032 São Paulo, entrepreneur and street guy Edson Jesus Oliveira de Freitas has his life tured upside down when he gets involved with a girl member of a gang of quantumeiros, physicians that use illegal quantum computing to break any kind of code. And in 1732 Amazon, Jesuit father Luis Quinn hunts, in the name of the Church and the Portuguese Crown, another father that would be building his own theocracy in the heart of the jungle. And in the middle of all this, two conspiracies that cross the wall between realities: one tries to keep the multiverse a secret, while the other tries to open up the realities as the only way to save them.

But Brasyl is much more than this. It is a book that keeps the title Science Fiction has earned: that of last representative of the literature of ideas. Just because of that, Brasyl is not an easy book, even less a conventional SciFi book.

In the book, McDonald builds, in those three narrative lines, three discussions: the number of lives an individual may have, the quantity of landscapes and societies a country can have and, finally, how many different worlds fit in a universe. It is a tour, from micro to macrocosm, about the nature of identity. It is a book about philosophy, physics and the nature of reality. About choices, secrets and masks. It is a book about a country that never were and maybe never will be. About parallel realities, but focused in their similitudes rather than their differences.

In the end, Brasyl is not even a single book, but many, inside a single tome of about 400 pages. That is because McDonald wrote, between the lines, that he could have made made books with the same premise, the same elements and the same characters. Brasyl could have been a book about interdimensional intrigue. It could have been a action-packed book, with capoeira, gunshots and swordfights. It could have been an epic in the jungle. It could have been a book about the future of a country dominated by soap operas and reality cop shows, controlled by a surveillance system that monitors, from the stratosphere, every person, every object. Not that all these elements are not present in McDonald’s book. There are fight scenes in which capoeira is described in all its beaty, a afro-descendent version of Hong Kong movies. There are swordfights, both in 18th century chivalric tradition, and in a future one, with the Q-Blades, capable of cutting in the quantum level.

But instead, McDonald decided to spend most of the book writing about three characters and their individual parallel realities: a blond girl that is also a capoeira practiotioner and tries to keep her beauty tp be a little happier, and at the same time that maintains a love affair with a colleague without knowing if it is love at all; a priest, that is an assassin and a general; and a man that by day is an entrepreneur, in love for a Japanese descendent girl, by night is a cross-dresser, a dance queen, and in the weekends is a super-hero, a homoerotic fetish.

And McDonald tells these stories using a special, poetic and labyrinthine prose. The points of view going back and forth, both between the three main characters, as in their minds eye, their memories and multiples lives, too often jump to different scenes in the same paragraph. The structure McDonald uses in Brasyl completes the notion of parallel realities and is the mark of an author that has control over his book.

Through three main characters, both believable an empathic, McDonald explores the nature of Brazilian people. Even if he hasn’t lived in Brazil, doing his research in a couple of visits to São Paulo, Bahia and the Amazon, and reading the few books about Brazil available in English, McDonald was able to capture, with amazing precision, th Brazilian spirit. And he did this without clichés, without hullabaloos, but with critical observations regarding the importance Brazilian people gives to beauty, soccer and TV. Besides, geographically everything is right and linguistically, it is better than most foreigners trying the language of Camões.

The author mixes his English with many terms in Portuguese, which causes a positive estrangement much more interesting to fellow English speakers, but here it becomes the only and real downside of the book. There is a great deal of misspellings: non existent diacritical marks, misplaced accent marks and some inaccurate translations. But that is something that does not diminishes the book’s brilliance and importance.

A hell of an accomplishment for a gringo, definitely Brasyl is a book Brazilians must read.

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Vidas paralelas, tempos paralelos, universos paralelos. E um só país. Ou não. Em Brasyl, o escritor escocês irlandês Ian McDonald abre uma janela para três paisagens distintas: uma futurista, reminiscente da tradição cyberpunk; outra contemporânea, um eco dos noticiários e da febre dos reality shows; e, por fim, uma no passado, em uma selva misteriosa e predadora, um mundo independente dentro de uma colônia. Ligando esses três universos tão distantes e, ao mesmo tempo tão próximos, a física quântica, suas possibilidades e suas conseqüências.

O livro conta a história de três personagens separados pelo tempo e pelo espaço. No Rio de Janeiro de 2006, Marcelina Hoffman é uma produtora de TV especializada em reality shows à procura de Barbosa, o goleiro da seleção na fatídica final de 1950, quando o Brasil perdeu para o Uruguai em pleno Maracanã. Na São Paulo ultra vigiada de 2032, o empresário e malandro Edson Jesus Oliveira de Freitas tem sua vida virada de cabeça para baixo depois que se vê envolvido com uma garota, membro de uma gangue de quantumeiros, físicos que usam computação quântica ilegal para quebrar todo tipo de código. Já na Amazônia de 1732, o padre Jesuíta Luís Quinn caça, em nome da Igreja e da Coroa Portuguesa, um outro padre que estaria criando sua própria teocracia no coração da selva. E em meio a tudo isso, duas conspirações que atravessam a parede entre as realidades: uma tenta manter o segredo do multiverso, enquanto outra tenta escancarar as realidades como único meio de salvá-las.

Mas Brasyl é bem mais que isso. É um livro que faz jus ao título que a Ficção Científica conquistou: a de última representante da literatura de idéias. E justamente por isso, Brasyl não é um livro fácil, muito menos um livro de Ficção Científica convencional.

No livro, McDonald constrói, nas três linhas narrativas, três discussões: a quantidade de vidas que um único indivíduo pode comportar, a quantidade de paisagens e sociedades que um país pode ter e, finalmente, o número de mundos diferentes cabem no universo. É um passeio, do micro ao macrocosmo, sobre a natureza da identidade. É um livro sobre filosofia, física e a natureza da realidade. Sobre escolhas, segredos e máscaras. É um livro sobre um país que nunca foi e talvez nunca será. Sobre realidades paralelas, mas focado nas suas semelhanças, não nas diferenças.

Em última instância, Brasyl não é nem mesmo um livro, mas vários, dentro de um tomo único de quase 400 páginas. Isso porque McDonald deixou escrito, nas entrelinhas, que poderia ter feito vários livros com a mesma premissa, os mesmos elementos e os mesmos personagens. Brasyl poderia ter sido um livro sobre intriga interdimensional. Poderia ter sido um livro de ação, com capoeiristas, troca de tiros e lutas de espada. Poderia ter sido um épico na selva. Poderia ter sido um livro sobre o futuro de um país dominado por telenovelas e reality shows policiais, controlado por um sistema de vigilância que monitora, da estratosfera, cada pessoa, cada objeto. Não que não haja todos esses elementos no livro que Mcdonald escreveu. Há cenas de luta em que a capoeira é descrita em toda sua beleza, uma versão afrodescendente dos filmes de Hong Kong. Há batalhas de espada, tanto na tradição cavalheiresca do século XVIII, até a do futuro, com as Q-Blades, lâminas capazes de cortar em nível quântico.

Mas ao invés disso, McDonald resolveu passar a maior parte do tempo escrevendo sobre três personagens e suas realidades paralelas individuais: uma loira que é também capoeirista e tenta se manter bonita para ser um pouco mais feliz, ao mesmo tempo que mantém um caso com um colega sem saber se sente amor; um padre, que ao mesmo tempo é um assassino e um general; e um homem que de dia é empresário, apaixonado por uma nissei, de noite é travesti, uma rainha de baile funk e, nos fins de semana, é um super-herói, um fetiche homoerótico.

E McDonald conta essas histórias usando uma prosa especial, poética e labiríntica. O vai e vem de pontos de vista, tanto entre os três protagonistas, quanto a mudança no olhar interno de cada uma delas, suas memórias e suas vidas múltiplas, muitas vezes salta várias entre cenas diferentes em um mesmo parágrafo. Essa estrutura que McDonald usa em Brasyl complementa a idéia de realidades paralelas e é a marca de um autor que tem o controle sobre seu livro.

Através de três protagonistas críveis e empáticos, McDonald explora ainda a natureza do brasileiro. Mesmo sem ter morado no Brasil, fazendo sua pesquisa com um par de visitas a São Paulo, Bahia e Amazônia, e lendo os poucos livros sobre o País disponíveis em inglês, McDonald conseguiu captar com um grau de precisão impressionante o espírito tupiniquim. E fez isso sem clichês, sem bundalelê, mas com obrervações críticas sobre a importância que o brasileiro dá à beleza, ao futebol e à televisão. Além disso, geograficamente está tudo certo e lingüisticamente está melhor do que a maioria dos estrangeiros tentando a língua de Camões.

O autor mistura o seu inglês com vários termos em português, o que causa um efeito de estranheza positiva muito mais interessante nos seus conterrâneos, mas que aqui se transforma no único real defeito do livro. Há uma boa quantidade de erros de grafia: cedilhas inexistentes, acentos deslocados e algumas traduções imprecisas. Mas algo que, absolutamente, não tira o brilho e a importância do livro.

Um feito e tanto para um gringo, definitivamente Brasyl é um livro que os brasileiros precisam ler.

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E que melhor maneira de homenagear o pai do RPG do que rolar um D20 gigante? (Via BoingBoing)

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