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Archive for novembro \04\UTC 2008

Termino esse hoje, que está 65% pronto. E não, não é o mesmo conto de um post anterior. Publico a pedidos.

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“A primeira lança veio contra as costelas e, em seguida, o sabre no pescoço”, disse o Bodhisattva, girando para o lado à procura da grossa areia turquesa num prato de barro. O sábio retornou à postura e continuou a mandala e seu relato em sussurros. “Como vespas, a guarda real tomou o palácio. Pétala Outono sentia a queda dos guardas como se fossem folhas secas, muito antes deles mesmos perceberem que aquela seria sua última batalha. Sem tirar os olhos do príncipe, ela agachou-se, quase sentando no chão, agarrou com uma mão a lança zunindo sobre sua cabeça e com a outra socou o guarda na bexiga. Com o golpe, o guarda foi arremessado contra a muralha, um rastro de urina e sangue sendo deixado no caminho. Ela girou sobre os calcanhares, a lança ainda em punho, e saltou. O chute acertou a lateral da lâmina inimiga, que partiu ao meio com a fúria do golpe. Pétala Outono caiu com o mesmo pé à frente e percebeu quando um guarda às suas costas girou o kwan dao na direção do seu joelho mais atrasado. Usando a inércia da queda, ela projetou o corpo à frente, ergueu a perna que não era a base e cravou a lança na garganta do oponente com a meia arma em punho, que engasgado com aço e sangue, caiu para trás.

O Bodhisattva fez uma pausa e salpicou grãos azuis sobre uma planície de terra vermelha. “Príncipe Quatro Cascos Jade, pela primeira vez desde que a deusa pisou em seu palácio, ergueu o olhar, maravilhado.

“O kwan dao covarde assoviou no vazio por baixo da sola da imortal, mas o guerreiro girou a arma com as duas mãos por sobre o corpo curvado para trás e, fazendo uma alavanca, lançou um novo golpe, de baixo para cima, causando um grito de dor no ar. Do mesmo jeito que foi à frente, a deusa retornou o corpo. Num giro de cintura e tornozelo, bem no momento em que o kwan dao partia para o alto, ela se pôs de pé na lâmina e correu em direção ao guarda incrédulo. No meio da haste, já erguida a quarenta e cinco graus, a imortal saltou para frente com as mãos firmes na arma e aterrissou com os pés no ombro do inimigo. Com a força do salto, ela arrancou o kwan dao de suas mãos adversárias e, arremessando os braços para baixo, cravou o facão dos generais no espaço entre os pulmões do guerreiro. O corpo sem vida foi fraquejando aos poucos, de joelhos, e finalmente tombou com o ser celestial ainda equilibrado sobre ele.

“Dezenas de soldados estavam imobilizados de terror ao seu redor. Pétala Outono recolheu o kwan dao para suas costas, lâmina para baixo, e expirou devagar com a mão reta à frente dos seios, olhos faiscando com o acúmulo de chi. ‘Você faz poesia’, disse o príncipe rompendo o silêncio e a barreira de guardas, com um sorriso desconcertante no olhar.

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